sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Uma lenda...

"No princípio criou Deus os céus e a terra.

E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.
E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.
E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.
E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi.
E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom."(Gênesis 1, 1-10)

      Agora, parte da história desconhecida, é a relação do Céu com o Mar. O Céu fora criado primeiro, e era muito pomposo. Lindo! Imponente! Um azul encantador! Era muito orgulhoso de si mesmo. E se achava, depois do homem, a criação mais perfeita. Sonhava em ver animais bailando pelo seu infinito azul, estrelas cortando sua imensidão. Era feliz por ser o que é, e achava que por si só já se bastava.
     Ao ver sendo criado o Mar, não suportou tamanha afronta. Um azul tão imenso quanto o seu. Suas aves iriam mergulhar naquelas profundezas e o abandonaria. O Mar também era tão lindo quanto ele, mas não dava o braço a torcer e não deixava que ninguém percebesse sua injúria. Apenas se colocava em seu lugar e não trocava uma palavra sequer com aquela imensidão úmida.
      Já o Mar se encantou pelo Céu de cara e de longe ficava a admirar tamanho esplendor. Até perceber que o Céu não lhe dava nenhuma atenção, e sempre que tentava puxar assunto via a noite chegar e aquele azul cintilante se escurecer. Para tentar se diferenciar era isso que o Céu fazia, anoitecia ou se nublava.Isso tudo para tentar ser diferente daquele Mar que copiava o seu imenso azul. Mas o Mar queria mais que isso, queria de todas as formas chamar a atenção do Céu, e quando o Céu se acizentava também ele tomava tons cinzas, e quando anoitecia o Mar deixava seu brilho de lado e escurecia junto. "Que absurdo! Só pode ser muita inveja tentar ser igual a mim em todos os momentos!"-pensava o Céu com todo o seu orgulho. E isso só o deixava mais furioso.
      O Mar começou a perceber que precisava tomar uma atitude para tentar reverter aquela situação. E numa noite ele evaporou, se transformou em nuvem e subiu até o Céu para tentar uma aproximação. Chegando lá começou a puxar assunto e por esratégia já foi logo rendendo elogios a imensa majestade azul. Orgulhoso que só ele o Céu logo foi dando assunto sem nem perceber de quem se tratava. E foi assim que Céu e Mar se conheceram pessoalmente e passaram uma noite inteira trocando confidências e boas risadas. Mas já era hora de amanhecer e o Mar precisava voltar ao seu lugar, pois ninguém poderia perceber que ele não estava mais lá. Numa desculpa esfarrapada ele fugiu do Céu e se transformou logo em chuva para voltar a Terra. E o Céu não entendeu o motivo de tamanha pressa e insistiu para que seu mais novo amigo ficasse mais um pouco. Em vão... Seu amigo, que até então o Céu não sabia de quem se tratava, havia sumido. Querendo encontrá-lo o Céu tratou de amanhecer mais rápido e então flagrou a sua chuva se transformando em Mar novamente. Sentiu vergonha de si mesmo. Não era possível! Aquele ser que ele tanto desprezava tinha lhe proporcionado a melhor noite de sua existência. Tanta coisa em comum, tão iguais...mas o seu orgulho nunca o deixara perceber isso. E ficara alí admirando o Mar deitar de novo em seu berço... Seu espelho! Era isso que o Mar era. O reflexo de tudo aquilo que ele mesmo se mostrava ser.
      Sem se conter o Céu desceu até o encontro do Mar e foi pedir perdão por tudo o que pensara sobre ele sem antes mesmo tê-lo conhecido. E alí quis ficar! Junto do Mar, pois sua companhia o fazia bem. Mas os outros seres não aprovavam essa idéia! A atmosfera ficou comprimida, o ar rarefeito, o clima esquentou...Tudo e todos eram contra aquela aproximação. Com medo do que os outros pudessem pensar e fazer o Céu voltou ao seu lugar, só que dessa vez o orgulho ficara de lado e ele se sentia muito sozinho. Era saudade. A saudade entristecia o Céu solitário que ficou um bom tempo nublado. Queria mais... Queria o Mar sempre perto, mas sabia que não era mais possível aquela aproximação. Só se encontravam entre uma chuva ou outra, quando o Mar ia visitá-lo sem que ninguém sequer notasse.
      Numa dessas visitas o Mar teve uma grande idéia, já que o Céu não podia descer totalmente à Terra e ele não podia subir por completo, poderiam marcar um lugar onde pudessem se encontrar sempre. Lá eles poderiam se unir e se manter juntos longe de tudo e de todos. Um lugar que seria só deles, e ninguém pudesse alcançá-los. E assim fizeram, Céu e Mar se uniram. Porém ao invés de atrair olhares de reprovação passaram a inspirar seres enamorados e poetas. Aquela união não fazia mal a ninguém e do contrário atraía os olhares apaixonados com toda aquela poesia criada.

      E foi assim que Céu e Mar formaram o horizonte! Minha divina inspiração! Não tento entender apenas admiro esse amor, que me inspira nos meus amores!!!

cælum mare
Meu horizonte
Indo muito além do meu horizonte...





por Deyvid Guedes em 02 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vida que segue...

"Quero passar os meus dias eternamente ao seu lado, sentir seu cheiro, ouvir suas gargalhadas
Quero dormir abraçado e te proteger do mundo lá fora
Ser teu amor, teu irmão, teu pai, teu amigo
Quero ser o herói, que luta pra te livrar do perigo
Quero te levar pra passear a tarde no parque, rolar pela grama, alimentar os pássaros...
Sentar na areia da praia pra assistir ao espetáculo do sol se pondo no horizonte
Tentar te explicar coisas da vida que talvez você ainda não entenda, e contar estórias de um mundo de fantasia pra te ajudar a sonhar com um futuro
Depois te carregar em meu colo e ver você dormir como um anjo deitado sobre nuvens
Ao amanhecer te dar beijos de bom dia e desejar que este novo dia não mais termine...


Emily (sobrinha/afilhada) e Luany (irmã)

Anna Beatriz (prima/afilhada)




Laís (prima)







Thayná (prima)



Aliás, desejar que o tempo não passe só pra eu não ter que te ver crescer e aos poucos ir perdendo essa pureza divinal que trazes em teu ser
Mas quero sentir ciúmes e brigar por você
Te ver vencer na vida e sentir orgulho por você ter se tornado alguém
Alguém melhor que eu...melhor que seus pais...melhor que todo o ser humano que já passou por esta Terra
Quero você ao meu lado dia após dia, e sentir a cada vez que eu fechar os olhos o gosto doce desse beijo que me aquece o rosto...


...e o 'eu te amo' mais sincero do Universo que me deixa mais raso que o chão..."









por Deyvid Guedes em 30 de agosto de 2011
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É! Meus bebês estão crescendo... Vida que segue! Vão encarando o mndo com outros olhares e outras perspectivas. Vão percebendo que as histórias que eu contava (e ainda conto) das princesas e dos castelos não são bem o que encaramos no dia-a-dia. Meus bebês estão crescendo, namorando, estudando, daqui a pouco vestibulando, trabalhando... E eu me sentindo cada vez mais velho! O Peter Pan aqui não consegue nem segurar o bioma para não crescer, imagine congelar os bebês para sempre serem engraçadinhos. A vida vai se renovando e seguindo seu rumo... Outros bebês vão surgindo, mas os bebês de antes só se tornaram bebês gigantes!!! Continuam sendo meus bebês!!! Meus bebês estão crescendo, e eu vou crescendo junto, em rítmo acelerado...mas é só a capa de eternas crianças que vivem sonhando!!!

Amo meus bebês!!!
 .:nas fotos:. Emily, Luany, Anna Beatriz, Laís e Thayná, meu bebês!!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quando surge uma amizade?
Em um mundo tão carente como nosso, parece que amizade é artigo de luxo. Redes sociais lotadas de pessoas te implorando amizade, pessoas que sequer te viram um dia e pedem para compartilhar de seus momentos de intimidade... E é isso que é amizade? Você consulta uma página, analisa fotos, compara gostos em comum e define quem serão seus novos amigos?
Na minha análise a amizade não escolhe hora e nem lugar para nascer. Acontece sem nem mesmo perceber. Os gostos, as afinidades são coisas que vão surgindo com o dia-a-dia... Ninguém escolhe de quem vai gostar baseado em fatos pré-analisados!

Quanto vale uma amizade?
Será que meus melhores amigos são os que sempre saem comigo e gastam fortunas para me ter por perto...ou meus melhores amigos são os que visitam só pra me ver e nunca trazem um presente, mas sempre trazem boas histórias pra contar?
Já foi época em que se comprava amizade com dinheiro e status. Amigos não são valores a serem medidos. Já diz o meu poema preferido "seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa ou nada e terem bons momentos juntos".

Até onde ir por uma amizade?
Na música de Ziza Fernandes, baseada em versos bíblicos, diz que "não existe amor maior que a coragem de dizer que um dia se preciso for dou minha vida por você". E o que seria dar a vida? Se matar? Deixar de viver literalmente? No meu ponto de vista dar a vida é fazer o possível e o impossível para ver seu amigo feliz, mesmo que para isso você tenha que deixar de lado seus medos, seus orgulhos, sua pose... Fazer de tudo para ver o sorriso desse amigo. Dar a minha vida... Viver em prol da vida dos meus amigos!!!


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Hoje eu lembrei da história do livro "O Caçador de pipas". Para quem nunca leu, ele traz a história de amor mais linda que já li em toda a minha vida e recomendo com louvor. Sem beijos ou abraços de casais apaixonados, mas a história de amor entre dois amigos. Um sabe verdadeiramente o sentido da palavra amizade, já o outro descobriu isso da maneira mais dolorosa possível, e quando pensa em retribuir o amor do amigo...já é tarde demais...
Não! Nem com isso a história se torna triste, pois a lição de moral que nos traz é tão linda que nos faz pensar um pouco mais humanos.

Será que somos realmente amigos de verdade? Até o fim? Ou apenas tiramos proveito da presença de outras pessoas?
Será que estamos dispostos a amar sem medidas, em todos os momentos, independente das circunstâncias?
Será que estamos dispostos a enfrentar qualquer situação em nome de uma amizade?
Será que que estamos abertos a amar até o fim, mesmo sem saber quando e como será esse fim?

Quando paro para analisar tais questionamentos é que eu me fortaleço e me disponho a amar meus amigos sem me importar com o que possa vir depois. Superar medos, traumas, orgulho... passar por cima de mim mesmo em nome da amizade. Porque se meu próximo chora eu não tenho motivo nenhum para sorrir. Minha felicidade só se completa ao ver o sorriso sincero em seu rosto!

E a  frase que se torna marca registrada do livro é a que eu quero carregar por toda a minha vida:

"Por você eu faria mil vezes!"


por Deyvid Guedes, em 30 de agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Eu estou aqui...

Eu estou aqui...
Pra gente se encontrar e virar crianças juntos, passar a tarde rindo, falando besteiras, coisas sem nexo, mas coisas que nos fazem rir.

Pra passar a noite na sua casa, ver o dia raiar e descobrir que não dormimos nada, passamos a noite contando coisas da vida e já é hora de correr para os nossos compromissos.

Pra correr na areia, rolar na água, fazer castelinho e depois desfalecer numa cama com o sorriso mais sincero desse mundo.

Pra brincar na sessão infantil do shopping sem nem se importar com o que estão pensando quem passa e nos vê.

Pra rir seu sorriso, chorar seu choro, amar seu amor e sofrer seus sofrimentos.


Eu estou aqui...
Mesmo que o tempo e a correria do dia-a-dia não nos permita estar juntos, mas apenas pra cruzar com você pela rua já é um ânimo a mais para o meu dia.

Pra sentir saudade quando não te ver e mandar mensagens te contando isso.

Para passar horas ao telefone com seus lamentos e mesmo sem a solução para os seus problemas fazer de tudo para tentar confortar sua dor.

Pra ir ao teu encontro mesmo morto de cansaço e perceber que na sua presença todo cansaço vai embora.

Para tentar colocar um sorriso no seu rosto, mesmo se por dentro meus olhos querem se derramar em lágrimas.


Eu estou aqui...
Não só para te apoiar em tudo, mas pra brigar quando você estiver errado, e saber ouvir quando eu estiver errado.

Porque sei que sozinho não sou nada e ao seu lado que eu me sinto forte.

Pra te contar minhas conquistas e minhas derrotas. Pra conquistar e vencer junto contigo. Pra me levantar e te ajudar a levantar quando a vida insiste em nos dar rasteira.

Eu estou aqui...
Pro que der, pro que vier, pro que você quiser contar, pro que você precisar.

Eu estou aqui amigo, porque sei que vale muito a pena te amar e não deixar essa chama de amor se apagar dentro de nós! Eu estou aqui, mas na verdade eu estou sempre aí. Onde você estiver eu estarei junto de ti e sempre te trarei junto de mim...


Eu estou aqui!!!

por Deyvid Guedes, em 30 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Paradoxos...

Muitos tentam me aconselhar, ela me diz o que eu devo fazer. Muitos criticam a minha distância, ela aproveita cada momento perto de mim. Muitos me olham com um olhar de reprovação, mas ela me ouve e me entende. Muitos me vêem como um bom exemplo a não ser seguido, enquanto ela acompanha meus passos e nunca me abandona. Muitos me olham e não querem que eu entre em suas vidas, mas ela me olha nos olhos e pede a Deus que eu nunca saia da vida dela. Muitos me usam, ela me tem e não se aproveita disso. Muitos olham pra mim e vêem um galinha, um puto, um devasso, que como a maioria, só estou a procura de mais uma noite, mais uma aventura. Mas ele consegue enxergar a minha alma e sentir o verdadeiro amor que há em mim. Para muitos sou a decepção, mas dela eu sou o orgulho. Para muitos eu nem precisava ter nascido, um demônio vestido de homem que não faria falta neste mundo, mas para ela sou um singelo anjo que entrou em sua vida. Enquanto muitos querem me ver pelas costas ela conta as horas para poder me ver de frente, me olhar nos olhos e me abraçar forte e apertado. Muitos andam torcendo o nariz quando me vêem, ela aperta os olhos quando me vou. Muitos falam de mim quando não estou presente, ela me liga e pergunta o que está acontecendo. Muitos comemoram a minha ausência, já ela chora cada segundo distante. Para muitos sou apenas um moleque que não amadureceu e não sabe lidar com as coisas da vida, mas para ela serei eternamente o seu bebê. Muitos me desejando mal, e ela sempre me abençoando.

Os muitos são apenas muitos que na verdade que na verdade não somam em nada na minha vida. Mas ela é ÚNICA...que por si só me completa inteiramente. Muitos já passaram por esta minha vida, mas eu entrei e faço parte da vida dela. Muitos me odeiam, poucos se apaixonam, mas ela verdadeiramente me ama.

Para muitos apenas mais um texto, mas para ela eu faço a minha declaração e minha promessa de amor eterno... EU TE AMO MÃE!!!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sonhei com você...

"Contemplar teu sono, e por um instante sentir o tempo parar. Vozes, imagens,pensamentos...tudo se mistura num turbilhão de informações. Sem perceber saí de mim eu fui ao teu encontro no mundo dos seus sonhos.
Sonhos bons, fantasias, vontade de ser... Foi mágico conhecer este lugar. Um lugar tão simples e tão puro, um pedaço de paraíso, o seu paraíso.
Um sonho tão azul!!!Vi reis, vi rainhas, vi um povo em festa... Gingavam com chapéus gigantes, e eu entrei na dança. Vi o mar e um horizonte diferente. Meu horizonte já não era mais tão azul, agora um amarelo cobria o meu azul como se fossem lençóis protegendo meu mar do vento frio. Crianças corriam de um lado para o outro... Muitas crianças! Me perdi em meio a brincadeira e voltei a ser criança também. Sorri, brinquei, me emocionei. Que lugar místico!
Descobri a essência do ser humano que se esconde atrás de um simples olhar. A simplicidade que esconde a grandiosidade do ser.
Senti a pureza do seu coração ao conhecer o mundo através dos seus sonhos... Não dá vontade de sair deste lugar hipnotizante! Quanto mais eu entro...mais quero me aprofundar! Quanto mais descubro...mais quero conhecer! Quanto mais eu vejo...mais de você eu quero ter!
Preciso ir,não posso permanecer aqui. Afinal, a magia deste mundo é toda sua. Mas sempre que quiser pode me convidar que será um prazer caminhar por aqui e sonhar contigo..."


por Deyvid Guedes em 20 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Sonho de Peter Pan...

Sou apenas uma criança, um menino que esqueceu de crescer e procura sua própria "Never Land". Na verdade um moleque. Desses que aprontam bastante, tocam a campainha do vizinho e correm pra se esconder, joga pedras no telhado dos outros, arruma confusão com o grandalhão da turma e corre pra trás das pernas da mãe dizendo que não fez nada... O moleque que nunca gostou de futebol mas sempre brincou de pelada na rua porque acima de tudo era um moleque e precisava ter uma infância.

Eu sou apenas um moleque...

O tempo passou mas ainda sou o mesmo moleque. O moleque que apanha da vida mas não liga pra isso e perdoa a vida por cada porrada que leva. Crianças são muito inocentes tem pensamentos voláteis. Brigam neste exato momento e amanhã estão juntas na mesma brincadeira. Como é bom ser moleque e viver a inocência de uma criança. Pra que guardar ódio e rancor? Há tão pouco espaço no coração pra tanta coisa
pesada...

Eu sou apenas um moleque...

Um moleque que cresceu demais e precisou suportar o peso da responsabilidade antes da hora, mas que ainda leva na mochila o bonequinho do Comandos em Ação e o carrinho do Hot Wheels... No intervalo que eu tenho, sento e brinco pro tempo passar...

Eu sou apenas aquele moleque...

Que não viveu em uma família feliz, mas que sempre foi feliz por ter uma família. O moleque que aprendeu que as pessoas erram pois são humanas, mas que o perdão existe para que não continuemos no mesmo erro.

Eu sou aquele moleque...

Que conheceu uma sociedade hipócrita, onde as pessoas julgam e mantém poses por status, mas na verdade são as mais erradas de todas. Aprendi a ser o moleque, que não se importa com o que tem as pessoas, mas sim com o que são as pessoas. Aprendi a ser não o moleque que as pessoas querem que eu seja, mas ser apenas o que sou...isso me basta!

Eu sou o mesmo moleque...

Que tem medo de crescer e encarar o mundo adulto.Ser adulto é chato demais. Temos que fazer o que todos dizem que é certo. Criança pode fazer "pipi" na calça que ninguém vai rir... Adulto é preso porque fez "pipi" na rua. Criança anda nua no verão e ninguém se importa... Adulto anda nu e é um criminoso. Quero ser puro como um moleque e não maldoso como um adulto!

Não quero deixar de ser moleque...

Não quero perder a inocência e a pureza de uma crinaça. Quero poder brincar na rua sem ter hora pra entrar em casa. Voltar a soltar pipa, rodar pião, brincar de pique-pega... Quero correr pros braços da minha mãe quando roncar trovoada. Jogar futebol no asfalto enquanto cai a chuva de verão. Seguir as patinhas de coelho no chão da casa no domingo de Páscoa. Andar de bicicleta por prazer, não com medo de obesidade. Comer pipoca, batata-frita e pizza sem peso na consciência. Me apaixonar pela menina mais bonita do colégio, e sempre que entrar uma mais bonita me apaixonar de novo sem que ninguém me crucifique por isso. Acampar no quintal da minha casa em uma barraca feita de lençóis... Fazer aniversário e nem me importar se eu ganhei presente porque o mais divertido é comer brigadeiro, largar os adultos na festa e ir pra rua brincar com a galera...

Não quero deixar de ser moleque...
Não quero deixar de ser criança...
Não quero crescer...

Sou apenas este moleque que vocês conhecem...

Quero pra sempre ser o mesmo moleque!!!


por Deyvid Guedes em 21 de agosto de 201

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"A medida do amor é amar sem medida" (Santo Agostinho)

Sentado na areia, queria observar o meu horizonte, mas como a noite não deixa eu me contento em contemplar a lua. Quando todo o esplendor do sol se vai é ela quem não me deixa na escuridão. Observá-la me fez lembrar dA CABANA. Já faz tempo que entrei naquele lugar, e ainda hoje sinto saudades daquele encontro com Papai. Faz tempo que não sinto o calor daquele colo com a mesma intensidade. Que não sinto asquele amor tão intenso me envolver... Mas não esqueço daquele encontro um minuto sequer. Papai me revelara coisas nas quais eu jamais havia pensado antes, e deixou dúvidas que ainda hoje me fazem refletir. A principal delas a respeito do amor.

O que é o amor afinal? Que sentimento é esse que nos aproxima e afasta de tantas pessoas? De lá pra cá venho pensando nisso e cheguei a seguinte conclusão: como é difícil amar! Amar de verdade! Como é difícil amar e ser amado. Mas somos nós mesmos que colocamos tais dificuldades em um sentimento tão nobre. Tudo bem, vou parar de generalizar. Como EU sinto dificuldades em amar. Estou amando agora... Amando olhar a lua e saber que ela também está amando ser observada por mim. Mas até que ponto a lua vai satisfazer a minha carência?

Pronto! Está aí o "x" da questão. Será que é amor ou carência? Desde o encontro com Papai eu desaprendi o que é amar, ou no mínimo mudei todos os meus conceitos a respeito do verbo amar... Há algumas semanas mandei uma mesma mensagem para alguns amigos e, para minha surpresa, os mais distantes foram os que me compreenderam melhor, e suas preocupações eram apenas levantar minha autoestima, e não me julgar ou até mesmo condenar. Nossa! Nunca me senti tão amado. Pois é esse o amor que eu sempre falo, e torno a repetir, que é o amor de verdade pra mim. Amor livre de cobranças! O amor que não espera nada em troca. Já alguns amigos decidiram cobrar. Entendo que também não fazem por mal, mas ainda não compreenderam o que é amar. Permita-me a autocorreção mais uma vez: não aprenderam a amar como eu.

Agora acho que consegui levá-los (meus caros leitores) a minha confusão e incompreensão. Não consigo seguir os padrões e conceitos de amor impostos pela sociedade. "O certo deve ser isso..."; "Pra se amar você tem que fazer aquilo..." Na minha opnião o amor é livre! É simplesmente amor e não troca. Não se ama só por (ou para) ser amado. Me senti amado ao receber as mensagens dos meus amigos, porque a cada dia que eu os encontro (mesmo depois de séculos) é como se fosse o primeiro e o último dia de nossas vidas. Não temos tempo para perder com bobagens, porque a vida é muito curta, e uma hora estaremos certos e será nosso último encontro, mas a vida não avisa. Brigas, confusões, desentendimentos...mentiria se eu dissesse que não acontecem, mas o amor tudo supera. Se há amor de verdade há a compreensão.E o perdão só é verdadeiro se o que passou realmente for esquecido. O amor não deixa espaços pra mágoas e rancores no coração de quem ama.

Voltando ao meu momento com a lua, amando-a de verdade ela deixa de ser apenas um simples objeto para suprir minha carência. Mas o medo do amanhecer me apavora! Pela manhã a lua pode não estar mais aqui e a claridade vai ofuscar a beleza de sua companhia.E como eu ficarei quando o dia amanhecer? Mesmo que ela esteja em outro lugar do mundo também pensando em mim. É eu sei, não existe a noite sem o dia... Coisas da vida! Coisas que o amor está me ensinando a compreender melhor. Mas e se a lua volta a noite e não me encontra aqui nesta mesma areia a observá-la? Será que ela vai pensar que eu também a esqueci como todos os outros? Ou vai compreender que eu não pude voltar amanhã? É esse medo de perdê-la que talvez me impeça de amá-la. Esse medo de não poder amar do jeito que ela gostaria de ser amada é que me faz curtir apenas o luar. Observá-la sem juras de amor eterno. Já sofri muito com o anoitecer e perdendo o meu horizonte de vista...mesmo de longe a me observar eu não consigo observá-lo do outro lado dessas águas.Apenas sei que está ali. Não posso sofrer com o amanhecer. Não posso deixar a lua ir embora na esperança de me encontrar aqui sentado a observá-la na próxima noite.

Vão me chamar de louco! "Ninguém se apaixona pela lua!"; "Isso não existe!"; "Como é que vão namorar em noite de Lua Nova?" E mais uma vez a sociedade vai me impôr critérios para amar. Que para amar a lua eu preciso estar junto dela,  que eu tenho que ter a certeza que ela me ama, que o amor só acontece quando ambos se completam... e por aí vai um monte de regras para o amor. Mas não! Não foi assim que Papai me ensinou a amar. Não é assim que eu quero ser amado. Quero simplesmente amar. Sem me importar com o que vou receber em troca... E mesmo com todo esse querer eu não consigo. Medo? Não! Privação! MEsmo com essa consciência eu sei que para amar eu preciso estar disposto a me abandonar, pois se eu não amar de verdade eu posso, mais uma vez, fazer chorar.






Enquanto isso eu fico só a observar. A lua... O luar... A noite que se vai... E um novo dia que logo logo brilhará...em meu horizonte!!!









(por Deyvid Guedes em 11 de Agosto de 2011)

domingo, 14 de agosto de 2011

Homenagem ao homem da minha vida...

Aos 4 anos, aprendi a partilhar:
-Pai pra quê que serve uma irmã?
-Pra você dividir todas as suas coisas.
-Ah então não quero ninguém pra ter que dividir minhas coisas não...
-Mas você precisa aprender a dividir. Você gosta de brincar sozinho? Então agora você vai ter alguém pra brincar com você, mas vai ter que emprestar seus brinquedos...

Aos 5 anos,aprendi a amar sem me importar com a opnião alheia:
-Filho dá um beijo aqui em papai...
-Tá doido? Eu sou bichinha agora pra beijar homem?
-Não é beijo de dois homens, é beijo de pai e filho.

Aos 6 anos, aprendi a confiar:
-Olha, eu tô bêbado, não faço a mínima idéia de como vou chegar em casa com você e sua irmã, nessa chuva e estando os três nessa bicicleta. Mas sobe aí porque eu vou chegar. Confie em mim porque eu sou seu pai...

Aos 7 anos, aprendi a autoconfiar:
-Pai não larga o banco da bicicleta senão eu caio.
-Tá bom!
-Viu pai, assim eu consigo andar...nem caio né pai?! Pai??? Pai??? Paaaaaaaaiiiiii...
     Viu só eu cai porque você me largou!
-Não. Você estava andando sozinho e eu não estava te segurando há muito tempo... Você caiu porque não acreditou em você mesmo!

Aos 8 anos, aprendi a acreditar em Deus:
-Pai onde a vovó tá agora?
-Tá com Papai do céu. Conversa com Ele que ela vai estar ouvindo tudo... Depois é só fechar o olho que você vai conseguir dormir filho.

Aos 10 anos, aprendi a ser ambicioso:
-Pai, tirei 10.
-Não fez mais que sua obrigação!

Aos 11 anos, aprendi que homem também chora:
(No parque de diversões, num brinquedo que nos deixava a mais de 100 metros de altura)
-Dyovana, abre o olho, é muito legal, dá pra ver a cidade toda daqui de cima.
-Dyovana num abre o olho não...num abre o olho não minha filha...num abre o olho nããããoooo..

Aos 13 anos, aprendi a me virar sozinho:
-Pronto, essa aqui é a Praça XI, ali na frente é a Central do Brasil, aqui fica o seu curso e alí daquele lado é o ponto de ônibus. Qualquer coisa você pode pegar o ônibus aqui, ir pra Praça XV e pegar uma barca pra Niterói. Pronto! Só vim hoje porque é o primeiro dia, a partir de semana que vem você vem sozinho...

Aos 15 anos, aprendi a refletir na vida:
-Quando sua mãe estava grávida eu parei de fumar porque com o dinheiro que eu comprava cigarro eu tive que comprar comida pra você, então se quer fumar se sustente...

Aos 18 anos, aprendi a me preocupar:
-Como que é andar de avião? Dá medo?
-Pai, depois do episódio do parque até andar de elevador eu falo pro senhor que dá medo.

Aos 19 anos, aprendi a ser adulto:
-Pai, precisamos conversar de homem pra homem. Do jeito que está não dá pra continuar. Dói ter que dizer isso mas é melhor o senhor sair de casa...

Aos 20 anos, aprendi a perdoar.
(Conversando com minha madrinha)
-Seu pai esteve aqui, perguntei coisas que tenho certeza que você gostaria de perguntar mas não tem coragem. Só te alerto uma coisa.Nunca acredite em nada que te falarem sobre ele a respeito de você se isso for uma coisa ruim. Perguntei como ele se sentia em relação a você depois que ele saiu de casa e ele simplesmente disse que sentia orgulho porque você tomou a atitude de um homem. Um homem do jeito que ele te ensinou a ser!

Aos 23 anos, aprendi ser o orgulho.
-Meu garoto! Meu orgulho!

Durante 25 anos da minha vida, aprendi a dizer:

EU TE AMO!


Hoje é um dia especial apenas para lembrar, mas as homenagens deveriam ser todos os dias. Homenagens de agradecimentos ao homem que me ensinou a ser homem, ao homem que não só me acompanhou no crescimento, mas que cresceu junto comigo e me ajudou a crescer. Um homem cheio de defeitos como eu, mas que nunca poderia carregar o título de um mau pai. Disso eu não tenho e nunca terei do que reclamar...do pai que sempre foi e ainda é. O homem que me apresentou o mar e comigo lá ficava pra eu não me afogar.O homem que me levava pra pescar e me deixava na beira da praia observando o horizonte. O homem que me ensinou a ser o homem que hoje eu sou e eu não me envergonho de dizer que é o HOMEM DA MINHA VIDA! Seja feliz no seu dia! Meu horizonte hoje é você!!!

por deyvidguedes em 14 de agosto de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Falar...falar...e nada dizer...

Aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!

Quero gritar!
Escrevi, apaguei, reescrevi...apaguei milhões de vezes e nada sai!

Quase entrei em depressão ao ver que meu horizonte estava abandonado. Então resolvi que hoje escreveria um texto tão fantástico que quem entrasse aqui nem perceberia que fiquei tanto tempo calado... Calei mais uma vez...

Cadê minha inspiração? Falta?
Não... Não é falta de inspiração. Motivos para escrever tenho de sobra, afinal as letras são minhas melhores amigas na hora de desabafar, e quem me conhece sabe muito bem disso... Mas o que acontece comigo então?
Porque esse bloqueio?




Porque eu não consigo me lançar...porque eu fico aqui na minha janela de longe a observar o meu horizonte e não consigo expressar uma sequer palavra? Ás vezes eu sinto raiva de mim mesmo...


Uma música que muito traduziria minha louca mente seria "Eu não sei na verdade quem eu sou" de O Teatro Mágico. Não consigo me encontrar comigo mesmo! Como me expressar para os outros? Como escrever? O que escrever? Como e o que falar?

Dá pra ser compreendido calado?
Não sei...só sei que mais uma vez eu calei...
Escrevi...escrevi...escrevi... E não disse nada! O mar está na minha frente me convidando pra um passeio até o meu horizonte...e eu,simplesmente me afasto e não quero seguir. Medo do caminho. Medo do destino. Medo do desconhecido... Mais uma vez eu me calo. Me recolho e não me abandono...

Um dia talvez...eu mergulhe fundo de cabeça e pare de confundir as vossas cabeças meu queridos leitores... com palavras loucas e sem nexos que nem eu mesmo entendo o que quero escrever. Mas prometo. Eu vou tentar! Amanhã eu vou tentar voltar aqui escrever de novo. Vou tentar me abrir ao novo! Vou tentar mergulhar fundo no meu mar...e se Deus quiser, de lá não mais voltar! Se não...continuarei sentado a observar...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A Humanidade de Deus

Eu olhava Cristo nos olhos...
Era estranho, mas eu conseguia sentir a Humanidade de Deus. Sempre gostei de ressaltar muito estas palavras durantes os encontros com o Catecumenato, a Humanidade de Deus. Mas naquele dia eu descobri o que realmente significavam estes signos que saiam de minha boca apenas como teoria, e nunca com o que eu realmente sabia sobre a Humanidade de Deus. Descobri que eu não sabia nada sobre este Deus tão humano. Acabara de desvendar seus mistérios naquele momento.

Me senti mal. Meu Deus tão fraco ali na minha frente. Meu alicerce, minha força... desmoronando. Quase desabei junto. Meu olhar fixo no seu olhar queria falar, mas mais do que isso, meu olhar sentia... Minha boca não se mexia, mas meus olhos amavam. Era o mínimo que eu podia fazer. Amar. E amei... Quando tentei falar machuquei... e só então percebi que a força do meu Humano Deus dependia de mim. Assim como minhas forças dependem dele...

Tão Deus... Tão Humano...

Não queria mais estar ali. Tentei fugir. Tive medo de que minha fraqueza fosse a fraqueza de Deus. Tive medo de que minha culpa enfraquecesse meu Deus. Mas não. Eu precisava estar ali. O meu Cristo precisava de mim ali. Minhas palavras não fariam sentido, mas o pulsar do meu coração dizia tudo.
Pude sentir o coração de Cristo batendo dentro do meu. Não queria mais me afastar dali. E mais uma vez eu fui ao céu vestido de inferno. Desviei o olhar...meu coração chorou...tive medo de magoar o meu Cristo...e magoei... Mas em seu olhar mais uma vez encontrei o perdão. Perdão instantâneo. Só quem ama sabe o que é.

Amor verdadeiro. Amor sublime. O mais puro que existe dentro da palavra amor. Não o amor banalizado que se perde por aí... Mas Amor!

Senti-me amado. Senti-me querido. Senti-me importante. Importante na vida do meu Deus Homem. Do meu Humano Deus. Do meu Deus que quer se mostrar cada vez mais próximo de mim, e nunca distante.

Senti a Humanidade de Deus e me senti muito mais humano.
Experiência única!
A cada dia mais próximo do Pai, graças ao meu Cristo. O Humano Deus...

Eu olhava Cristo nos olhos...
Era estranho, mas eu conseguia sentir a Humanidade de Deus...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Perdi um amigo...

Há quatro anos eu fui perdendo um amigo...


E não foi um amigo qualquer.Hoje eu tenho a certeza de que o título de melhor amigo não cabe a outra pessoa... Ninguém me entende tanto. Ninguém me conhece tanto .Qualidades e defeitos. Ninguém sabe tanto da minha vida, coisas boas ou as besteiras que já fiz por aí. Aliás, ninguém fez tanta besteira junto comigo...

Perdi meu melhor amigo pro tempo e pra rotina... Tempo que não nos sobrava. Tempo que parece a todo momento estar contra nós. Tempo que não encontrávamos. Rotina que cansa. Rotina que sufoca. Rotina que, como um parasita, levava todo nosso sangue. Tempo e rotina que nos separava cada vez mais...

Perdi meu melhor amigo pras horas de trabalho. Perdi meu melhor amigo pra dedicação total a uma vida de estudos. Perdi meu melhor amigo pras noites em claro nos estágios. Perdi meu melhor amigo pros meus dias de serviço de pernoite. Até que percebi que de tão perto vivíamos tão longe. Os menos de dois quilômetros que separavam minha casa da dele parecia um abismo. Então perdi meu melhor amigo e ganhei o meu melhor amigo virtual. É, isso mesmo, pois nossas conversas se resumiam a telefonemas e conversas por um programa de mensagem instantânea. Mas seu tempo e sua rotina, assim como o meu, não eram coisas fáceis de se lidar. Sofria com ele. A cada nova notícia, a cada novo sacrifício, a cada nova barreira, a cada etapa vencida... E me sentia mal ao ter que cobrar sua presença em minha vida, pois sabia que sua ausência não era por seu querer. Mas eu o fazia. Fazia falta... Ainda faz muita falta... Meu trabalho também nunca ajudou muito, então eu também tinha uma parcela de culpa. Foram nossas escolhas. Isso na verdade que me afastou do meu melhor amigo virtual. Certas escolhas requer certos sacrifícios, e se não forem realmente sacrifícios talvez as escolhas não valham a pena... E a tal distância que nos separava tornou-se ainda maior quando eu vim morar em outra cidade à cento e cinquenta quilômetros de distância, por conta do meu trabalho. Nem mais um "-Alô! Tô chegando do trabalho!" "-Beleza! Te espero na esquina só pra te dar um abraço e saber como você está!"...

Meu melhor amigo virtual, numa de nossas conversas on line me convidou a encontrá-lo nesta quinta-feira, e preocupou se eu poderia ir, enfrentando uma longa viajem de duas horas apenas para vê-lo e ter que voltar com mais duas horas, pois na sexta eu teria que trabalhar. Disse que por ele faria isso... Minha namorada me questionou "-Por quê você 'tem' que ir?" "-Porque 'tenho'! Lá se foram quatro anos em que eu perdi meu melhor amigo, não é todo dia que posso vê-lo desta forma." Acho que ela compreendeu.

Nesta noite, o tão esperado dia, tudo conspirava contra nós. Acordado desde as 03h45 trabalhando, passagens compradas, não consegui sair na hora do serviço, quase perco o ônibus (o único que me faria chegar no horário), desço de um pego outro, um engarrafamento me agonia, desço no caminho, passo por um lugar nada habitado para tentar pegar uma outra condução que passe por outra rota...minhas unhas já não estão mais nas minhas mãos... celular descarregou...A hora marcada se aproxima e temo não chegar a tempo. Peço a Deus. Meu melhor amigo virtual não poderia se decepcionar comigo, eu prometi!

Chego no lugar e hora combinados. Um vidro fumê nos separa, mas ele percebe minha presença e abre o sorriso mais sincero que já vi. Ele estava lindo naquela roupa preta. Queria abraçá-lo, mas tive que me contentar com um aceno. Para minha surpresa, meu pai estava no mesmo local que nós. Também foi ver uma amiga. Sento ao seu lado e aguardamos juntos o início da cerimônia. Meu pai insiste em querer saber o porquê eu sai da cidade onde estava e enfrentei essa viajem toda para ter que voltar no mesmo dia. Eu respondia apenas que era amor...muito amor... Ele eu acho que não compreendeu. Deve ter pensado as piores coisas ao meu respeito, mas preferiu guardar pra ele. Acho que as coisas pioraram quando viu uma lágrima escapar e eu tentar enxugar rápido fingindo esconder minha emoção. Há quatro anos eu vinha perdendo um amigo. Há quatro anos eu vinha sofrendo com esse amigo. E agora, depois de quatro anos, foi muito gratificante partilhar da vitória do meu melhor amigo...

O abraço depois de tudo foi o mais apertado que pudemos trocar.... Parabenizá-lo era muito pouco pro que eu estava sentindo. O eu te amo não era novidade...

E esta noite, mas uma vez eu perdi meu amigo. Perdi meu amigo virtual. Perdi meu amigo aluno. Perdi meu amigo estagiário. Perdi meu amigo formando. E ganhei MEU MELHOR AMIGO ENFERMEIRO!!!

Valeu muito a pena esperar. Valeu muito a pena todo sacrifício. Valeu muito a pena toda a ausência. Valeu muito a pena todos os esforços. Valeu muito a pena as noites mal dormidas... Sei que valeu! Que aquela lâmpada acesa hoje jamais se apague dentro do seu coração...

Alegria incontida. Um abraço não foi o suficiente. E estar aqui às 03h02 da madrugada atualizando este blog sem saber sequer se ele vai ler, é o mínimo que posso prestar de homenagem para relaxar e extravasar um pouco da emoção...