quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ϕοῖνιξ

Da primeira vez que eu morri...


Eu não queria morrer...



Sentia medo, mas a minha morte era eminente, e eu sentia...
Eu precisava morrer antes da morte!
Todo o processo é muito doloroso, mas é extremamente necessário.

Antes de confeccionar meu ninho, pousei em uma palmeira à beira do mar
E observava o astro-rei se pôr
Era mágico aquele momento, eu parecia ouvir o fogo sendo esfriado pela água gelada da imensidão azul
Eu deveria me entristecer por ver meu amigo morrer lá no horizonte

Mas não... Força, superação, determinação, coragem, perseverança...
Era isso que eu sentia ao vê-lo partir
Era isso que eu precisava ser e não apenas sentir

Mas este meu ciclo havia sido encerrado...era chegada a minha hora
Assim como Bennu, a alma do deus Rá, eu precisava encontrar a minha Heliópolis e consumar o que não tinha fuga

E assim fui contruindo em meu pilar, meu ninho de ramos de canela, sálvia e mirra
A colheita era muito dolorosa, pois o medo não se afastava de mim
Mas era preciso

Construi meu ninho, minha própria sepultura, meu próprio berço
E me deixei consumir...
Queimei...
Senti...
Doeu...
Sofri...

Chorei...

Meu leito de morte em pouco tempo se tornaria o berço da minha vida...
Da minha nova vida...
Parecia demorar, mas eu precisava ser paciente

Perpetuação... Ressurreição... Esperança que nunca têm fim...
Como incenso queimavam também comigo e subiam aos céus levando o odor de minhas penas flamejantes
Cinzas virei e das cinzas ressurgi
As penas que sinto de mim mesmo formam as asas que me fazem voar
Sacudi o pó e mais uma vez voei...

E com as cinco cores sagradas, me vesti
Azul, roxo, vermelho, branco e dourado
Agora um novo ciclo se inicia e estou pronto para pairar pelos ares com o vento me conduzindo pelas asas

Nova vida! Novo ser... Precisei morrer para entender como viver...
Sou Fênix, e das cinzas ressurjo mais uma vez...
Agora mais do que nunca entendo que vez em quando preciso da morte para ter a vida
Hoje eu entendo porque eu precisei morrer



Sou Fênix
Sou morte
Sou vida
Sou esperança
Sou perseverança

Sou Fênix...

 
 
 
Por Deyvid Guedes em 19 de setembro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"Ainda vejo o mundo com os olhos de criança"

Meu pai me ensinou a fazer carrinho de madeira, televisão com caixa de leite, preparar pista de corrida na areia e correr com tampinhas de garrafa... Minha mãe me ensinou a rodar pião, soltar pipa, brincar de bate-bag, biloquê... Joguei AquaPlay, Pegue-peixe, LEGO, Comandos em Ação... Na rua um pedaço de madeira com elásticos e tampinhas de garrafa viravam uma arma e eu polícia ou ladrão. Chinelos eram traves e a bola rolava no asfalto. A imaginação nos transformava em vendedores, apresentadores, atores... Giz ou pedaço de tijolo era o suficiente para transformar o chão no Mar Vermelho ou numa escada que nos levava até o céu. Papel e caneta e o sorteio com os dedos definiam a letra para testar nossos cohecimentos.
O tempo passa e a gente não quer mas tem que crescer... E acaba esquecendo do fascínio que é ser criança.


Há quase 10 anos atrás eu era um adolescente quase jovem, lá com meus 16 anos e que achava que já tinha crescido demais. Ou melhor, achava que tinha crescido rápido demais. Vez ou outra sentia saudades da minha infância. Via as crianças brincando na rua e queria brincar também. Mas morria de vergonha de contar isso pra alguém ou até mesmo pedir pra brincar também.

Até que eu conheci vocês...


E eu descobri que não era tarde pra eu ser criança...


Hoje eu pensei em escrever tanta coisa aqui...mas quando comecei a vasculhar as fotos fiquei sem palavras. Alternava choros de alegria e risos com tanta idiotice que já fizemos juntos.

Decidi que a postagem de hoje vai ser traduzida apenas em fotos. Tenho certeza que quem ver vai sentir o mesmo que eu estou sentindo agora!

Amo muito vocês, meu irmãos, minhas paixões, minhas eternas crianças!!!




Para quem não conhece essa família, nós somos a CVM (Comunidade de Vida Mariana) Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Da esquerda para a direita: Marcus Crespo (Pupilo), Monique Vasconcellos (Mumu), Deyvid Guedes (Pinto), Vinícius Machado (Cunhado, que agora também faz parte da família), Rosana Martins (Rosa), Juliana Ramalho (Pretinha), Pablo Gonçalves (Pablito) e Solange Silva (Sol).



Uma família que nasceu há 8 anos e 7 meses. As crianças mais incríveis que puderam entrar na minha vida!
Amo muito vocês!
Obrigado por existirem!

Feliz dia das Crianças para todos nós!!!!

sábado, 8 de outubro de 2011

Forasteiro...

   Em dado momento da minha vida decidi me tornar um cigano. Não adquiri hábitos, costumes ou crenças do povo, apenas usei o termo para especificar que tipo de vida decidi seguir. Chegou uma hora que resolvi abandonar o aconchego do meu lar, colocar algumas poucas coisas em minha mochila, somente o necessário, e com ela nas costas buscar o mundo. Andei por aí sem rumo. Conheci novos povos, novas culturas, aprendi tanta coisa com o que eu vi. Estava satisfeito com a vida que estava levando. Fazer novos amigos é sempre muito bom, mas confesso que sempre choro com as despedidas. Mas foi a vida que decidi seguir e sempre que me despeço nunca olho pra trás pra não me arrepender. Sei que é bom manter os laços, mas preciso seguir meu caminho e conhecer novos lugares.
   Nesta minha caminhada me deparei com um povoado que me chamou muito a atenção, e é sobre ele que vou discorrer aqui nas próximas linhas.
   Caminhava eu pelo meio de uma floresta de mata nativa bem fechada, e pela primeira vez em toda a minha trajetória eu tive medo, pensei estar perdido. A mata era muito densa, fazia frio, a noite caía, meu cantil já quase que se esvaziara, poucas eram as árvores frutíferas daquele lugar e nenhum sinal de população. Pensei que talvez ali seria o meu fim. Quando de repente, me deparo com uma claridade vinda do outro lado da floresta. Caminhei em sua direção até que de longe avistei, no meio de um vale (eu já não tinha nem noção eu subia uma floresta montanha acima) uma pequena aldeia, e o povo parecia estar em festa. Fui me aproximando devagar, não queria chamar muita atenção, mas logo alguém me notou. Dançavam em torno de uma fogueira e realmente pareciam muito felizes. Fui logo convidado a participar das danças em torno das chamas, me ofereceram bebida e comida. Nunca havia encontrado pessoas tão receptivas e aquilo ali ia até me assustando. Não sabiam quem eu era, de onde vinha, qual era o meu caráter... E pareciam nem estar preocupados com isso. Demorei um pouco para ficar a vontade com toda aquela situação, o estranho era eu, mas eu é quem começava a estranhar a todos.
      Depois de um tempo, quando eu menos percebi lá estava eu sentado em torno da fogueira como um dos aldeões, ouvindo suas histórias, bebendo de suas bebidas, comendo os alimentos que eles assavam na brasa... Senti uma paz! Um conforto! Me senti super a vontade por estar alí, e parecia que eu tinha voltado pra minha própria casa. Era como se eu estivesse nascido no meio daquele povo.
   Até que alguém resolveu perguntar quem eu era. A essa altura eu já achava que isso era o que menos importava, mas fiquei muito feliz e ter sido notado e comecei a contar-lhes minha vida e minhas andanças por aí. Me olhavam da mesma maneira que olhavam os anciãos quando contavam as histórias dos seus antepassados. Primeiro senti o peso dessa responsabilidade, como se eu os estivesse ensinando algo, mas depois percebi que eles gostavam de me ouvir, e não passei mais a me importar e continuei contando minhas aventuras.
   Já era madrugada adentro quando todos começaram a se deslocar aos seus aposentos. E logo me ofereceram uma cabana (que talvez fosse criada para receber visitantes mesmo, como se recebessem sempre visitas ali no meio do nada). Um lampião, uma cama com vestes limpas, uma moringa com água fresca e um pouco do que haviam assado na fogueira. Deitei-me e fiquei algumas horas pensando naquelas pessoas. Como eram felizes. Como me fizeram sentir feliz. Como eu estava a vontade por estar naquele lugar que eu nunca tinha visto antes...
   Antes que o sol despertasse eu já estava de pé, o céu já estava claro, e fui caminhar pela perimetral daquela aldeia para conhecer. Como eu chegara a noite não havia percebido o quanto aconchegante era também a natureza daquele lugar. De um lado as matas e as montanhas, um rio descia morro abaixo, cruzava a aldeia a leste e desaguava no mar que ficava do outro lado, um pouco afastado, mas que em poucos minutos de caminhada chegávamos. Entrei por um caminho na mata e fui ter com o rio. Uma espécie de piscina natural se formava logo abaixo de uma cascata e foi alí que (depois de verificar se realmente não havia ninguém por perto) que me banhei. Aquela água gelada era confortante. Massageava todo o meu corpo, que depois de longas caminhadas parecia tão estressado, com os músculos duros. Terminei meu banho, me vesti (antes que chegasse alguém) e peguei o caminho de volta. No caminho encontrei as mulheres que voltavam com frutas para o café da manhã. Ao chegar na aldeia cada pessoa que me olhava, assim como aquelas mulheres no caminho, me recebia com um sorriso tão grande e tão sincero que eu me sentia muito amado por aquelas pessoas que sequer me conheciam.
    Depois de alimentado continuei minha caminhada por alí, e já parecia mesmo que eu estava em casa, pois niguém me olhava como um estranho. Crianças vieram ao meu encontro e me pediam pra continuar contando as histórias que iniciei sentado à beira da fogueira. Sentei-me com elas em uma espécie de campo, onde brincavam, e continuei minhas aventuras de caminheiro. Cada vez chegavam mais, e quando me deparei eu era um contador de histórias rodeado de olhinhos fascinados com minhas palavras. E mais uma vez eu fui tomado de alegria.
   Demorei alguns dias ali naquele lugar (mais do que o normal pois nunca ficava muito tempo por onde passava) mas cada vez que eu dizia que ia embora, me pediam para ficar, e eu ainda não sei porquê, sempre concordava e adiava a partida. Dias foram se passando e eu ali, cada vez mais encantado. Porém em alguns dias eu sentia uma profunda tristeza. Me levantava, caminhava pela aldeia, ia até o rio, colhia frutas, passeava pela areia da praia...voltava, via o dia terminar, e não via uma pessoa sequer. Povo estranho! Pareciam tão felizes em sua convivência diária, mas vez ou outra pareciam não querer se ver ou cruzar os caminhos uns dos outros. E assim seguia a vida. Confesso que nesses dias eu sentia uma profunda tristeza. Era pior do que caminhar sozinho por aí. Nas estradas da vida eu sei que sempre encontrarei um outro povoado uma hora ou outra. E sei que realmente estou sozinho. Mas ali não...eu sabia que tinham pessoas adoráveis atrás de cada porta fechada e que naquele dia eu não poderia ver aqueles sorrisos que me faziam inebriar de carinho. E esses seriam os melhores momentos para eu juntar minhas coisas e partir, mas não conseguia, ao lembrar de cada brilho no olhar, de cada sorriso, de cada noite de festa (que se repetia com uma certa frequência) eu voltava atrás e prometia pra mim mesmo que ia ficar só mais um pouquinho, mas que no dia seguinte iria embora... Mas nunca ia...
   Mas eu esperava sempre ver todos os dias os sorrisos, as risadas, as crianças correndo pelos campos. Eu não conseguia entender como um povo tão feliz se trancava em mausoléu de tristezas de um dia pro outro sem motivo algum. Não conseguia entender tanta oscilação de humores. Se eram tão felizes ao me ver pela manhã, por que eu não tinha aqueles sorrisos todas as manhãs? Por que sem motivos se trancavam em suas casas e ignoravam minha presença? Já não sabia mais o que achar e preferia não tirar conclusões precipitadas... E comecei a perceber que realmente eu demorara mais ali do que devia. De uma forma ou de outra eu sempre seria um estrangeiro. Talvez eu nunca me acostume com os hábitos deles. Deveria seguir meu rumo e mais uma vez me despedir... Forasteiro, isso é o que eu sou para eles!
   Essa noite ninguém se reuniu em torno da fogueira... Não vi sorrisos, não ouço vozes, nem as velas acesas nas casas eu consigo enxergar pelas frestas. Acho que chegou o meu momento. Tenho que partir. Vou sair na calada da noite para não ter que me despedir... O choro seria inevitável. E desejo que não me peçam pra ficar...pode ser que eu não resista a mais uma noite. E agora começo a perceber que este aqui não é realmente o meu lugar... Talvez um dia eu volte, e encontre tudo diferente, ou talvez não os encontre no mesmo lugar...ou quem sabe a vida me leve a outro lugar que não me permita nunca mais voltar aqui. Mas não vou me preocupar com isso... A estrada me chama... Vou tentar não olhar pra trás!




Por Deyvid Guedes em 08 de setembro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011


"Toda noite vens me visitar...
É tarde, mas não me deito sem antes te sentir.
Tão longe e tão perto...
Esqueço do sono que tenta me derrubar e corro ao teu encontro
Sua presença é tão necessária quanto o ar que eu respiro
Ansio durante todo o dia só para encontrar-te ao me desejares uma boa noite
Não preciso tocar-te, não preciso abraçar-te, não preciso sequer beijar-te
Apenas preciso saber que estais aí
A distância física não importa, pois lhe trago comigo onde quer que eu vá

Maior inspiração deste humilde aprendiz de poeta
Não sei o que seria dos meus dias se eu não pudesse mais te ter aqui comigo todas as noites
Teu brilho acalenta meu ser e traz conforto para minh'alma
Sigo a te adimirar e já nem quero mais nada em troca
Saber que estáis aí me basta!

Doce companhia de todas as noites
Não me deixe dormir sem antes ter-te por alguns instantes
Brilha em mim e me faça dar mais um sorriso de alegria
Pureza refletida em meu olhar
Posso sentir seu doce perfume como se aqui ao meu lado estivesse agora
E sei que estais
Sei que também pensas em mim e se enche de alegria ao me ver te observar e todas as noites lançar olhares apaixonados em sua direção

Riqueza
Inspiração
Reina tua soberania sobre mim e faça comigo o que quiseres
Serei para sempre teu...eternamente grato pelo bem que me fazes todas as noites

Serei teu mar calmo e sobre mim deitarás tua luz
Receberei teus carinhos como uma criança indefesa no colo materno
E por todas as noites serei teu eterno poeta
Recitando-te as mais belas poesias
Traduzindo o meu amor"




Por Deyvid Guedes em 05 de Outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O que vi da vida...

   Vi um tempo passar arrastado, numa infância que não tinha mais fim. "Quero ser grande"-pensava eu, sem saber que maldição professava. Tinha todo o tempo do mundo e este era favorável à minha feliz rotina. Brincava do entardecer até me cansar, e quando já não me aguentava mais ia para casar tomar um belo banho e desabar sobre a cama. Um sono tão pesado que minhas noites pareciam uma eternidade. Sonhava...e sonhava...e sonhava... Quanto tempo eu tinha para sonhar! E nada de interromper meus sonhos na melhor parte com o ruído estridente de um despertador urrando nos meus ouvidos..

   Ah o tempo!

   Senhor de todas as coisas, que não dorme e não deixa de agir sobre nós, um instante sequer. Ele que era ao meu favor, agia sobre mim sem que ao menos eu percebesse. E na minha pura inocência pedia a Deus vez ou outra que o tempo passasse mais rápido. Me parecia tão atraente a vida de um adulto. "Talvez eu possa brincar a noite toda sem minha mãe me chamar pra casa. Os adultos não têm hora para chegar!", me iludia. Mal sabia eu que na vida adulta não teria mais tempo de sonhar, e que as noites intermináveis seriam noites mal dormidas, quando a falta de tempo nos enche a cabeça.

      Hoje peço ao tempo para se arrastar, mas ele não me ouve. Quero voltar a ser criança e ter mais tempo pra brincar. Mas a seriedade me toma tanto tempo que às vezes até me esqueço do meu tempo de criança...

   Ah o tempo!

   Tempo este que não volta jamais. Tempo das aventuras adolescentes. O primeiro beijo, o primeiro cigarro, a primeira bebida, o primeiro porre, o primeiro amor... Namoros escondidos...becos, vielas, ruas escuras, muros, casas em construção, o banquinho da praça. Quem nunca viveu essa realidade? O mundo das descobertas. Tantos encontros num encontro consigo mesmo. Sempre era hora e todo lugar era lugar. Minutos intermináveis. "Será que vem vindo alguém?" Era a adrenalina que tornava cada momento mais gostoso. Já hoje...a falta  de tempo faz namoros (ou até mesmo casamentos) caírem na rotina. Nada é mais como no primeiro encontro. Sinto saudades de voltar nesse tempo. E fazer tudo de novo, mesmo que escondido, para tentar aproveitar melhor meu tempo. Quando não se imagina o próximo encontro cada um parece ser o último e não há mais tempo a se perder. Peço ao tempo que volte e demore só mais um pouquinho a passar...muitos muros ainda precisam me conhecer.

   Ah, o tempo!


   Hoje na vida adulta nos tornamos escravos do temível tempo. "Preciso de um tempo para isto, preciso de um tempo para aquilo, quero fazer tanta coisa e não tenho tempo..." E quando menos esperamos somos nós que estamos pedindo tempo ao tempo. E que tempo é este se não temos tempo a perder? Quanto tempo ainda temos?

   Ah, o tempo!

   É dura a vida de adulto! Conviver com o tempo sem aceitá-lo é duro demais. Não saber administrá-lo nos acorrenta aos ponteiros que parecem nos congelar com suas voltas hipnóticas. E quando nos damos conta...o tempo passou e a gente nem viu. Passou e não pudemos aproveitá-lo da
forma que gostaríamos ou poderíamos. Será que estamos mesmo perdendo o nosso tempo? Ou será que estamos ganhando o tempo?

   Ah, o tempo!

   E quando o nosso tempo parar de vez? O que poderemos dizer que vimos dessa vida? Tempos perdidos valerão a pena? Cada tempo foi aproveitado de forma única? Ou o nosso tempo será apenas um tempo qualquer que se passou e não valorizamos cada segundo que nos foi dado de presente?

   Tem horas em que o tempo voa e não conseguimos acompanhá-lo, mas tem horas que frações de segundos parecem uma eternidade.

   Ah, o tempo!

   Preciso aprender a conviver com o meu tempo. É a única saída que me resta, buscar uma perfeita harmonia em nossa relação. Escravo do tempo me rendo à sua ação e espero quê novos tempos ele prepara pra mim...


   Tempo, tempo, tempo... Ah, o tempo!!!


Por Deyvid Guedes em 26 de setembro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Um Conto sem um ponto...

      E mais uma vez ele acordara no meio da noite e saía de casa na ponta dos pés para que nínguém percebesse. Cruzava o quintal, passava pela cerca de arame farpado e madeiras caída que já não servem para proteger mais nada. E ia buscar o caminho já traçado em meio a todo aquele matagal e seguia mata adentro. Todos os dias percorria o mesmo caminho para encontrá-la. Andava alguns minutos e enfim chegava no clarão aberto em meio a capoeira. Ainda estava tudo lá, do mesmo jeito que deixara na noite anterior. O banquinho improvisado feito de um pedaço de tronco, a fogueira apagada... O local que ele preparara para encontrar a sua doce amada estava do mesmo jeito que a dois meses atrás, quando se viram pela primeira vez. A lua ousava mostrar-se entre as árvores e emprestava seu brilho para cintilar as folhas, completando o cenário.
      Juntou alguns gravetos e galhos, acendou de novo a fogueira e sentou-se no tronco para esperá-la. Fazia muito frio aquela noite, mas só em pensar que iria encontrá-la seu coração já se aquecia e queimava seu corpo.. Esperava por ela lembrando de todos os momentos felizes que já lhe proporcionara. E alí sentado diante da madeira que se consumia, ia pensando na vida.
      A fogueira lhe lembrava o forno a lenha que animava as festas da família de sua infência. Se reuniam em torno do fogão de lenha para as comemorações familiares e davam boas risadas em torno dele. Eram muitos felizes. Sonhava com o dia que pudesse fazer o mesmo com a sua amada e seus descendentes...
      Mas as horas se passavam e nada dela chegar. De repente um barulho no mato...alguém se aproximava. Seu coração saltava de ansiedade. Controlava-se para não correr ao encontro. Mãos suadas...arrepio frio na coluna... E quando o barulho se tronou mais próximo eis que surge do meio da mata... Era ela... Uma guaxini fêmea que procurava algum alimento para seus filhotes recém paridos.
      Decpção! Voltou a sentar-se em seu toco. Com um galho brincava com a fogueira e via a chama hora mais intensa e hora quase se apagar. Juntou ainda alguns galhos alí por perto para tentar manter a chama acesa e ainda ficava na esperança de vê-la chegar a qualquer momento. Assim havia sido em todas as noites anteriores. Mas parece que mais uma vez ela não viria...
      Começara a acreditar que aquele primeiro encontro não passou de uma doce ilusão. Mas parecia ser tão real. Tudo foi tão intenso... Não pode ter sido fruto de sua imaginação. Ele nem tinha imaginação para isso tudo. Mas então porque nunca mais ela voltara? Será que não foi tão bom para ela? Mas ele tinha certeza que ela também pensava nele... Mas ela não voltava mais ali.
      O céu começava a clarear e ele triste, desiludido, via que já estava na hora de partir. A fogueira, ainda queimava, mas ele dava as costas para ela antes que visse ela virar cinzas. É isso o que acontece qando não se mantém a chama acesa, sem combustível o fogo vira apenas cinzas... Voltava pelo mesmo caminho pensando em nunca mais passar por alí. Mas sabia que mentia pra si mesmo, pois no dia seguinte estaria alí para tentar mais uma vez. Sabia que mesmo magoado ainda tinha esperança de reencontrá-la e falar todas as palavras que ele vem guardando há tempos.
     Chegou em casa e com o corpo pesado apenas se jogou na cama e adormeceu. Mais uma vez tinha trocado o dia pela noite por causa dela...e ela não estava nem aí. Mais uma vez tinha trocado tantas outras coisas por ela e ela nem percebera. Não foi ao seu encontro para que ele pudesse lhe falar. Adormeceu e pegou num profundo sono, tão pesado que quando acordou jurava que tudo não passara de um pesadelo sonho. Mas ao olhar em sua cama via o mato seco que trouxe em sua roupa...na pele o cheiro da fumaça que o contornou durante toda a noite. Nas suas mão uma rosa...alguém havia deixado ali...só podia ter sido ela o babaca se iludia. E mais uma vez ele prometia pra si mesmo que voltaria na noite seguinte para encontrar a sua amada que lhe deixara um convite...a rosa...que era vermelha...



Por Deyvid Guedes em 04 de setembro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Razão ou emoção?
A quem devo seguir?
Cabeça ou coração?
E quando a boca também não entende a quem deve obedecer?
Palavras professadas não sabem de onde foram originadas...
Palavras que sentem sem pensar
Pensam sem sentir
Palavras que vem do coração, saem sem compreender a razão
Palavras que soam na hora que pensam e não se importam para o que estão sentindo..
Se tem tido algum sentido, sigo sentindo
Maldita é a boca que não entende que nem sempre as coisas sentidas precisam ser professadas ou entendidas
Traidora, trai mente e coração, não sabe a quem obedecer e acaba fazendo mais do que seu ofício
Fere
Entrega
Maldita boca que não entende a hora certa de falar
A mesma boca que conquista é a que desencanta
E é ela quem leva toda a culpa
Enquanto cabeção e coração não entram em um acordo é ela quem será sempre a maldita
Maldita boca...

Por Deyvid Guedes em 28 de sentembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

"Há medo em meu jardim, pois uma rosa disse adeus pra mim..."

      22 de setembro de 2011, 22h45... A uma hora e quinze minutos da chegada da primaveraeu observava a última noite fria de inverno. Contemplava uma noite gélida, sem lua, sem estrelas...tudo parecia tão escuro, mas com a triste ilusão que a meia noite, quando a próxima estação chegasse, tudo seria diferente. O brilho do firmamento fosse voltar a sorrir e a estação mais fria nos daria adeus.
      22h54, um telefonema. Ao identificar o número um aperto em meu coração. Diante daquela situação eu sabia que não seria um telefonema qualquer pra me desejar uma feliz primavera que estava por vir. Tive medo do que poderia ouvir, mas mesmo assim atendi. Uma voz trêmula forçando uma muito falsa segurança me perguntava se estava tudo bem. Ouvindo aquele choro reprimido que se escondia atrás daquelas palavras que sufocaram ainda mais meu coração, eu ousei dizer que estava bem, mesmo sabendo que depois das próximas palavras nada mais estaria bem, pelo menos não naquela noite. O que eu temia acabara de acontecer... Àquela noite não haveria a passagem da primavera. O Supremo, único responsável pela criação de todas as coisas, inclusive das estações, definiu, ainda não sei o porquê e quando tudo é muito recente fica difícil a gente perguntar pra quê, mas Ele definiu que excepcionalmente este ano a primavera haveria de esperar pelo menos mais um dia para dar o ar da graça.

      Uma lágrima rolou...foi inevitável. Depois outra... e outra...

      Estava ali ansioso na esperança de poder ver a minha doce primavera chegar, e derrepente ela resolveu parar no caminho para recuperar o ar e postergar a sua chegada.

      Nesta noite a lua não brilhou no céu. As estrelas não tinham motivos para iluminar. Noite longa demais! O vento soprava e assobiava um canto triste de se ouvir. Os amantes da noite não tinham a trajetória da lua no céu para passar o tempo observando seu passeio e nem as estrelas para contar. Noite muito longa, em que a primavera não chegou...

      Ao amanhecer, o sol mostrou que não tinha motivos nenhum para mostrar o brilho do seu sorriso. Como um bom trabalhador veio cumprir sua missão de aquecer, mas permanece escondido atrás das nuvens, e estas por sua vez, perderam sua pureza alva e se acizentaram de tristeza por não verem a primavera.

      O jardim, onde todos eram os que mais esperavam a entrada da próxima estação, amanheceu dormindo. As flores com suas folhas e pétalas fechadas se voltavam para o centro do jardim, pois esta noite a mais bela flor nos deixou...

      Todas as flores sabem que um dia voltarão à terra de onde, ainda semente, brotaram e tiraram todo o sustento para viver. Mas nenhuma delas espera que isso aconteça na entrada da primavera. Todas ensaiavam juntas um canto novo para o tão sonhado despertar do dia 23 de setembro. Cada uma adornava suas pétalas com o brilho mais bonito que pudessem. E os perfumes? Ah, os perfumes! Cada qual com sua particularidade contagiava e apaixonava quem quer que os sentisse. Juntos, todos formavam um gostoso aroma dos campos. Mas esta noite um perfume deixou de ser exalado...e mesmo que cinco mil outras flores exalassem seus perfumes ao mesmo tempo, um aroma vai estar faltando neste jardim.

      Aquela parecia ser a flor mais forte do jardim. Raízes profundas, muito segura de si, linda por natureza e nem assim deixava sua vaidade se transformar em prepotência, além da mais linda era também a mais humilde. A vaidade existia na busca de encantar ainda mais quem a olhasse, pois era feliz em saber que fazia feliz também quem a admirasse e sentisse seu perfume. E na busca pela perfeição em transformar suas pétalas, que já eram tão belas, em veludos cintilantes foi que ela passou seus últimos dias de inverno. Adornava-se  para encantar a primavera, que ela nem pode ver chegar...

      Hoje o jardim chora, mas de saudade que todos já sentem daquele brilho em seu meio. Todos sabem que aquela flor não os deixou, e que hoje ela apenas se tornou adubo para suas raízes. Tudo o que aquela flor foi enquanto enfeitava aquele jardim, vai fortalecer as raízes das flores que ficaram. Ninguém esperava que fosse assim, pois ela sequer disse adeus, mas talvez soubesse que não deveria se despedir já que na verdade ela nunca os deixará, apenas irá alimentá-los.

      Para se ter vida é preciso morrer, e esta noite ela sofreu as dores do parto mais uma vez. Dormiu e não acordou mais em nosso meio, mas acordou para a vida. Acordou para nossas vidas e a partir desta noite faz parte do nutriente de nossas raízes.

      E a primavera?

      É preciso força da parte das outras flores para mostrar pra ela tudo o que foi ensaiado durante outras três estações, e mesmo com o seu atraso o espetáculo sempre tem que ser único, pois se aquela flor ainda estivesse ali não deixaria nenhuma outra flor desanimar, e mesmo que a primavera do ano de 2011 comece no 24 e não no dia 23, é a primavera...com mais adubo em nossas raízes é que devemos mostrar a ela a beleza de nossas pétalas...


terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Pequeno Príncipe capítulo XXI

E foi então que apareceu a raposa:

- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer “cativar”?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor… cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Depois ela acrescentou:

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.

Foi o principezinho rever as rosas:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:

- Adeus, disse ele…
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…
- Eu sou responsável pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.


(Antonie de Saint-Exupéry)

A voz do silêncio

Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem

(Martha Medeiros)